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No CEASM, no Complexo da Maré, Exposição ‘Memória Climática das Favelas’ dialoga com jovens do Ecoa Maré e Preparatório da instituição

Adaptado do texto com autoria de Bárbara Dias, publicado originalmente em 21/06 no portal Rio On Watch


A exposição Memória Climática das Favelas, organizada pelos museus e projetos de memória integrantes da Rede Favela Sustentável (RFS)*, está em exibição neste mês do meio ambiente, no Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro. O evento de abertura ocorreu no Dia Mundial do Meio Ambiente, na presença de coordenadores, estudantes e professores do Projeto Preparatório do CEASM, de jovens bolsistas da FAPERJ que realizam projetos no Museu da Maré, além dos jovens e coordenadores do projeto Ecoa Maré, que, além de prestigiarem a exposição, apresentaram o trabalho de educação socioambiental que é desenvolvido no território da Maré.


A exposição surgiu como um produto final da realização de cinco rodas de memória climática das favelas, realizadas pelos museus comunitários: Museu da Maré, Museu Sankofa da Rocinha, Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica de Santa Cruz (NOPH) de Antares, Museu de Favela (MUF) do Pavão-Pavãozinho/Cantagalo e o Núcleo de Memórias do Vidigal, todos integrantes do GT Cultura e Memória Local da Rede Favela Sustentável.



Estudantes do preparatório do CEASM, jovens do Ecoa Maré e de projetos do Museu da Maré participaram da abertura da Exposição Memória Climática das Favelas. Foto: Bárbara Dias

Antes da inauguração oficial da exposição, que contou com um momento solene de “corte de fita”, realizado pela Marli Damascena, cerca de 50 estudantes do Preparatório do CEASM estiveram presentes numa apresentação sobre a importância da exposição Memória Climática das Favelas ser realizada na Maré, contextualizando um trabalho que já havia sido realizado uma semana antes com os jovens, onde eles assistiram ao vídeo oficial da exposição, compartilhando um pouco do processo das rodas de memórias nas cinco favelas participantes e também onde os mesmos realizaram debates sobre as mudanças climáticas.

“Nós fizemos as nossas rodas sobre mudanças climáticas… [Hoje] vamos fazer aqui uma abertura solene, simbólica, e vocês vão ver na exposição exatamente tudo o que nós conversamos. As rodas de Memórias Climáticas foram feitas em cinco favelas do Rio de Janeiro, na Maré, em Antares, na Rocinha, no PPG e no Vidigal. E aí, vocês vão ver aquela linha do tempo que está ali, cada morador contando a sua história”. — Marli Damascena, co-fundadora do Museu da Maré

Marli Damascena realiza a abertura solene da exposição Memória Climática das Favelas no CEASM. Foto: Bárbara Dias

Marli Damascena então realizou a abertura solene da exposição Memória Climática das Favelas no CEASM, mostrando os banners e linha do tempo da exposição que possibilitam a visualização de histórias, soluções e eventos climáticos marcantes para as cinco favelas participantes.


Durante o evento, conversamos com a coordenadora pedagógica do Curso Preparatório do CEASM sobre a importância dos estudantes estarem vivenciando a exposição Memória Climática das Favelas. Ela nos disse que os alunos passam por uma formação com debates sobre mudanças climáticas durante as aulas.

“A gente já vem debatendo sobre a questão das mudanças climáticas… ações que aconteceram no Museu da Maré… Os professores já vêm trabalhando em cima das mudanças climáticas, do que vem acontecendo, das tragédias e do que pode vir. Então, a gente entendeu que é muito importante que eles [os estudantes do preparatório] tivessem essa retrospectiva… do quanto a gente vem sofrendo com essas ações, que não é de agora, não é um fato isolado, isso já vem de muito tempo. Então, a questão dos deslizamentos, enfim, várias coisas que tem dentro da exposição, a gente traz isso enquanto um assunto de sala de aula. Acho que foi perfeita essa junção. Vai ser muito bom essa exposição estar aqui”. — Thais Felicidade, coordenadora pedagógica do preparatório do CEASM

Cida Rodrigues, uma das conselheiras CEASM e educadora do Ecoa Maré, apresentou o projeto Ecoa Maré e fez uma contextualização sobre como é trabalhada a temática socioambiental no território.

“O projeto da Ecoa funciona de segunda a sexta, de nove a meio-dia, eles também fazem formação aqui no espaço, desenvolvem oficinas nos espaços públicos, nas escolas públicas, trabalhando a questão socioambiental.” — Cida Rodrigues

Fernanda Souza, jovem do projeto Ecoa Maré, apresentou a linha de trabalho que ela e os demais jovens desenvolvem.

“O Ecoa é voltado para a educação socioambiental, a gente tem formações para levar um pouco do nosso conhecimento, do que vem acontecendo no mundo e no meio ambiente para as pessoas de uma forma lúdica. Esse ano, nosso foco são as escolas, mas a gente não se prende a isso, a gente participa de outras instituições… [Partindo] da metodologia de sensibilização e mobilização”. — Fernanda Souza

Jovens do projeto Ecoa Maré apresentam um pouco do trabalho de educação socioambiental que realizam na Maré durante a abertura da exposição Memória Climática das Favelas. Foto: Bárbara Dias

Os jovens do Ecoa Maré montaram uma linha do tempo com fotos das ações e formações que realizam na Maré. Falaram também do projeto VIC, sigla para “Voz, Interpretação e Corpo”, onde eles realizam esquetes para as crianças que passam pelo projeto. Além de todas essas atividades, o Ecoa Maré também trabalha realizando o reaproveitamento de materiais na construção de brinquedos e jogos.


Estudantes do Preparatório do CEASM seguram um brinquedo feito de materiais reaproveitados, desenvolvido pelos jovens do projeto Ecoa Maré durante a abertura da exposição Memória Climática das Favelas. Foto: Bárbara Dias

Entrevistado, Guilherme Paiva, coordenador do Ecoa Maré, falou sobre a importância da exposição de Memórias Climáticas chegar ao território.


“Essa exposição é extremamente importante para os moradores da nossa região, porque as nossas memórias geralmente são muito esquecidas, não são muito faladas. Nossas memórias não estão sendo veiculadas por grandes mídias de comunicação. Então, quando parte da própria favela falar sobre essas memórias, sobre as suas próprias vivências, isso é de importância muito grande para o reconhecimento, para a nossa identidade, nosso pertencimento ao local onde a gente vive. O Ecoa Maré tem o propósito de sensibilizar e mobilizar os moradores da nossa região sobre as questões socioambientais que a Maré vive. Quando a gente trabalha com memória, a gente entende que esse local tem história, esse local tem o que falar sobre o meio ambiente, o que falar sobre essas mudanças climáticas. As mudanças climáticas, hoje, estão saindo na mídia, mas não se fala dessas mudanças climáticas dentro da favela. Quem é que vai ser prejudicado? Quem é que está na ponta que vai ser sempre prejudicado pelas mudanças climáticas? São as pessoas mais pobres, são as pessoas negras que moram nessas periferias.” – Guilherme Paiva, coordenador do Ecoa Maré

Jovens que participaram da abertura da exposição Memória Climática das Favelas colocam suas sugestões de melhorias no mapa do Rio de Janeiro, artesanal e interativo, da exposição, feito pela própria Marli Damascena. Foto: Bárbara Dias

No final da atividade, os jovens do Preparatório do CEASM e do Ecoa Maré interagiram com o mapa artesanal do Rio de Janeiro, produzido para a exposição pela Marli Damascena. Ali, colaram post-its, indicando melhorias que esperam para seu território. As atividades do Dia Mundial do Meio Ambiente se encerraram com os estudantes sendo apresentados a brinquedos e jogos feitos com materiais reaproveitados pelos jovens do Ecoa Maré, que, além de demonstrarem suas produções, explicaram a diferença entre reciclagem e reaproveitamento.


Não perca o álbum por Bárbara Dias no Flickr.


*A Rede Favela Sustentável (RFS) e o RioOnWatch são articulados pela Comunidades Catalisadoras (ComCat)


Sobre a autora e fotógrafa: Bárbara Dias, cria de Bangu, possui licenciatura em Ciências Biológicas, mestrado em Educação Ambiental e atua como professora da rede pública desde 2006. É fotojornalista e trabalha também com fotografia documental. É comunicadora popular formada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e co-fundadora do Coletivo Fotoguerrilha.

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