Exposição “Maré é Mar” apresenta olhares de jovens sobre racismo ambiental na Maré
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Foto de capa: Yago Melo
Texto por Christóvão Carvalho
No dia 8 de maio, a exposição “Maré é Mar” ganhou vida no Museu da Maré. O lançamento fez parte da programação de aniversário de 20 anos da instituição, que ainda contou com chá de memórias, apresentação musical, cortejo cultural e apresentação teatral.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) e o curso de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio do grupo de pesquisa e extensão “Mídias, Redes e Jovens”. A construção da exposição reuniu jovens participantes do programa Jovens Talentos FAPERJ e do projeto Ecoa Maré. Ao longo de 2025, os participantes estiveram envolvidos em uma série de encontros formativos que deram origem aos conteúdos apresentados na mostra. A exposição, inclusive, já havia sido apresentada anteriormente na UFF, antes de chegar ao Museu da Maré.
Para a exposição, os próprios participantes ajudaram a construir o percurso para visitação. A mostra reúne fotografias, podcasts e narrativas produzidas pelos jovens a partir de formações sobre racismo ambiental e seus impactos na Maré. Ao longo do processo, os participantes tiveram contato com linguagens como fotografia, reportagem e produção de áudio, construindo coletivamente os conteúdos apresentados na exposição.
As atividades envolveram saídas de campo para diferentes pontos do território, como a Baía de Guanabara, o Parque Ecológico na Vila do Pinheiro e a colônia de pescadores, no Parque União. Os locais foram escolhidos a partir de debates sobre racismo ambiental e das próprias vivências dos jovens na Maré.

Integrantes do Ecoa, UFF e FAPERJ estiveram no lançamento da exposição, integrando a programação de aniversário do Museu da Maré. Foto: Ana Cristina da Silva.
Raissa Araújo (22) é moradora do Parque União e assistente de coordenação do Ecoa Maré, e acompanhou de perto o desenvolvimento das atividades. Ela explica que o processo foi construído de forma coletiva entre os envolvidos. “A gente foi pensando junto quais lugares faziam sentido, a partir do que os jovens traziam também. Esses espaços foram escolhidos porque mostram como o racismo ambiental impacta diretamente a vida das pessoas, seja na saúde, no trabalho ou no dia a dia mesmo”, conta.
Raissa esteve no primeiro dia de exposição, e segundo ela, além das saídas, os jovens também participaram de entrevistas e produziram os conteúdos a partir das próprias experiências no território, aprofundando o entendimento sobre o tema ao longo do projeto.
A professora Carla Baiense, coordenadora do projeto no curso de Jornalismo da UFF, destaca que a exposição buscou apresentar a relação dos jovens com espaços na Maré que são frequentemente associados apenas ao abandono ambiental.
Segundo ela, além de identificar problemas como acúmulo de lixo e falta de saneamento, os participantes também registraram formas de resistência presentes no território, como o trabalho de pescadores e o uso cotidiano desses espaços pela população. Carla comenta: “A gente achava que encontraria somente sujeira, descaso e uma paisagem degradada. Mas os jovens encontraram beleza no meio do caos. Existe um olhar de muito amor ao território”.

A professora Carla Baiense, coordenadora do projeto ‘Maré é Mar’, destacou o olhar dos jovens mareenses sobre a relação entre território, memória e meio ambiente. Foto: Ana Cristina da Silva.
O projeto também aprofundou debates sobre racismo ambiental entre os participantes. Segundo Carla, parte dos estudantes levou o tema para além da exposição, produzindo reportagens e trabalhos acadêmicos a partir da experiência. “Muitos produziram materiais sobre isso de maneira subsequente. Reportagens, TCCs. Então eu acho que tudo isso foi um ganho muito bacana”.
Durante o processo, os jovens também se organizaram em grupos para a produção de podcasts, que abordam temas como educação, trabalho, saúde e saneamento básico. Os episódios foram construídos a partir de entrevistas com moradores, trabalhadores locais e especialistas.
Gustavo Ferreira Farias (16), morador do Conjunto Bento Ribeiro Dantas e integrante do projeto Ecoa Maré, expôs três fotografias na mostra, todas relacionadas ao trabalho de pescadores da região e aos impactos ambientais na Baía de Guanabara. Ele comentou suas escolhas: “Eu quis mostrar ali o dia a dia dos pescadores. De como era o trabalho deles e o que eles faziam para fazer o ganha-pão deles, e o lixo atrapalha muito. Tanto que tem cada vez menos peixe na Baía de Guanabara, e isso vai afetar famílias, vai afetar eles mesmos, os moradores”.
A exposição “Maré é Mar” segue aberta ao público na galeria do Museu da Maré, de terça a sexta-feira, das 9h às 13h e das 14h às 17h, e aos sábados, das 10h às 14h.


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