CEASM_site-02.png

Produções mareenses para assistir no recesso

Por Carolina Vaz

Nesse final de ano, com recesso e feriados, a melhor opção – como no restante do ano desde março – está sendo ficar em casa. E isso pode ser feito conhecendo e valorizando artistas mareenses. Para preencher de arte o recesso da população da Maré, selecionamos algumas produções que podem ser encontradas na internet. Tem música, monólogos e peças curtas, além de apresentações teatrais mais longas.


Peças que rodaram o Rio e o país

No canal do Youtube do Grupo Atiro é possível assistir a gravações de peças mais longas, apresentadas em teatros. Uma delas é a peça Família, de 25 minutos, na qual três irmãos expõem o racismo e a banalização da vida de pessoas negras no cotidiano. Nesse mesmo canal podemos encontrar a gravação de Eles Não Usam Tênis Naique (foto), da Cia Marginal, que estreou em 2015 e passou anos em cartaz, rodando cidades de todo o país e chegando até em Portugal. Na peça, que se passa na favela, uma filha e um pai conversam. Ela nova no tráfico e ele ex-traficante, o diálogo passa por momentos de diversão, briga, tristeza, enquanto debatem sobre suas vidas, o tráfico e a pobreza.


Contos e Lendas da Maré encenados

O Museu da Maré, logo no início da pandemia, reativou seu canal no Youtube para apresentações cênicas. Nesse caso, dos contadores de história do Museu. Quem mora na Maré com certeza já ouviu falar da história do porco que nasceu com cara de gente, se é que não viu o porco. Essa é uma das sete histórias contadas na série Contos e Lendas da Maré, junto com Casamento na Palafita, Lobisomem da Nova Holanda, O Ensopado de Cobra, Mataram Meu Gato, A Figueira Mal-assombrada e A Mulher Loira. Alguns dos atores são Matheus Frazão, Marilene Nunes e Yago Melo.


Produções autorais durante a pandemia

No Youtube da Cia Marginal, é possível assistir duas performances curtas e dois episódios de uma websérie em andamento. Em “Festa”, os atores Wallace Lino e Jaqueline Andrade apresentam pequenos trechos de outros espetáculos que tratam de festa, de cerveja, de encruzilhada, da Maré. A outra videoperformance é “Dançar é esticar a alma além do corpo”, com Maria Tussevo. A mareense de origem angolana fala de sua descendência e de seu percurso como professora de dança, focando nos ritmos africanos. A websérie em curso no canal, já com os episódios 0 e 1, é Quintal C11. Tendo como personagem principal e narradora a atriz Vanu Rodrigues, a série acompanha sua vida enquanto passa pelas histórias da imigração angolana na Maré, principalmente na rua C11.


Uma novidade no Instagram é a página Meu Monólogo – Narrativas Periféricas, uma plataforma de artistas da favela apresentando monólogos próprios. Já é possível assistir A Vida é um Morango, com Camila Moura, e Operário das 4 AM, com Jefferson Melo. Ambos atuam no projeto Entrelugares Maré.


E por falar em Entrelugares, no perfil do projeto no Instagram tem a série Alunes na Pandemia, em que alguns participantes se expressam em depoimentos, desenhos ou até pequenas peças. Uma delas é Vômito Induzido, de Jefferson Melo, havendo também o fragmento do curta-metragem Os Tempos, de Milena Ferreira e trechos da exposição “Meus olhos janela de casa”, de Milena Vital.


Por último: música

Também tivemos lançamento de música mareense! Beatriz Virgínia, atriz, cantora e professora do Preparatório e do CPV, lançou a música Dois Corpos, que está no Youtube e no Spotify.


Fonte: Jornal O Cidadão