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Museu da Maré leva atrações para o Dia de Conexão pela Paz

Por Carolina Vaz

Foto de capa: Ângelo Alves

O Museu da Maré participou, em 15 de outubro, do Dia de Conexão pela Paz, um evento voltado para a troca entre projetos apoiados pela instituição alemã Misereor. O encontro aconteceu na Igreja de Sant’Ana, no Centro do Rio, e além do Museu participaram também a Pastoral do Menor do Rio de Janeiro, o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA RJ), a Escola de Perdão e Reconciliação (Es.Pe.Re), o Vicariato da Caridade Social e o Instituto CNV Brasil, voltado para a Comunicação Não Violenta. O encontro teve como tema central o racismo, abordado em poesias, músicas, relatos pessoais e palestra.


Para esse momento de conexão com projetos que partilham dos mesmos valores, o Museu da Maré levou diversas atrações. Começou com a exibição de parte do filme Maré de Independência, produção da Coletivona com 10 microfilmes de mulheres mareenses sobre os 200 anos da Independência do Brasil. Foi seguido de uma fala explicativa da diretora do Museu, Cláudia Rose. Logo depois, a equipe de arte-educadores Jefferson Melo, Marilene Nunes e Matheus Frazão fez uma leitura dramatizada de trechos do livro A Maré em 12 Tempos, divulgando também a exposição de longa duração do Museu sobre o mesmo tema. A leitura teve direito a cantoria de músicas temáticas como “Lata d’água na cabeça”, para o Tempo da Água e Rap da Felicidade, para o Tempo da Criança.


Para iniciar as falas temáticas sobre racismo, jovens do CEDECA apresentaram poesias e relatos pessoais, abordando as diversas violências que acontecem com o jovem negro, a exemplo de ser acusado de ser ladrão, enquanto está indo para a escola. O representante de Misereor, Stefan Kremer, cantou e tocou no violão sua música Luto, falando sobre racismo, desigualdade, genocídio da população negra e dos povos indígenas, e sobre luta e paz.

Público do evento ocupou auditório da Igreja de Sant’Ana. Foto: Ângelo Alves.
Público do evento ocupou auditório da Igreja de Sant’Ana. Foto: Ângelo Alves.

Branquitude, racismo e ancestralidade


O público do evento ainda contou com a palestra do fundador do Instituto Conectar Diversidade e Inclusão, Esteban Cipriano. Ele construiu sua fala sobre o racismo no Brasil desde o pós abolição, mostrando que não somente a população negra ficou desamparada sem políticas públicas que garantissem sua sobrevivência, como houve um proposital apagamento da cultura africana e tentativa de branqueamento da população, através da imigração de europeus. Ele mostrou como a História, construída com base europeia, apagou as evidências das diversas ciências já desenvolvidas por povos africanos, como os egípcios, na Idade Antiga, tais como Arquitetura, Matemática, Agrimensura e Medicina. Por fim, o palestrante indicou alguns caminhos para fugir dos efeitos do racismo, como o aquilombamento: permanecer em coletivo, conversar sobre raça e racismo, entender as potências de cada um. Ler, pesquisar e conversar com os mais velhos. “A nossa origem conta a nossa história. Saber de onde viemos é importante para sabermos para onde queremos ir”, afirmou. Numa vivência conduzida pelo Insituto CNV Brasil, os presentes conversaram sobre como se sentiam naquele dia, antes de irem para a pausa do almoço.



Arte para homenagear a Memória e alegrar o presente


O Museu da Maré ainda levou mais duas atrações para o encontro. Houve momento de contação de história, no qual Marilene Nunes e Matheus Frazão apresentaram a história do bloco Mataram meu Gato, um dos mais famosos contos da Maré. Após o almoço, a equipe promoveu uma oficina de stêncil, estampando papéis e camisetas com moldes temáticos, como imagens da Dona Orosina Vieira (uma das primeiras moradoras da Maré), da Marielle, de objetos em exposição no Museu e outras que remetem à memória da favela.

Matheus Frazão (centro) e Marilene Nunes (à esquerda) cantam sobre o bloco Mataram Meu Gato junto com Vera Marta, sobrinha-neta de Dona Orosina Vieira. Foto: Ângelo Alves.
Matheus Frazão (centro) e Marilene Nunes (à esquerda) cantam sobre o bloco Mataram Meu Gato junto com Vera Marta, sobrinha-neta de Dona Orosina Vieira. Foto: Ângelo Alves.

Equipe do Museu da Maré levou a oficina de stêncil com moldes da memória mareense para que os presentes aprendessem a estampar e levassem suas estampas para casa. Foto: Ãngelo Alves.
Equipe do Museu da Maré levou a oficina de stêncil com moldes da memória mareense para que os presentes aprendessem a estampar e levassem suas estampas para casa. Foto: Ãngelo Alves.

O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA RJ) apresentou seu projeto Segundo Sol, no qual jovens articuladores fazem oficinas em escolas sobre os direitos das crianças e adolescentes, passando pela capacidade de identificar situações de racismo e também lugares, projetos e recursos para que as crianças e jovens negros se sintam seguros. A ideia é chegar não somente à juventude mas às suas famílias, mostrando perspectivas positivas e promissoras de vida. Por fim, um dos últimos momentos do dia foi a apresentação de crianças e jovens da Pastoral do Menor, misturando dança e técnicas circenses que impressionaram todos presentes.