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Museu da Maré celebra seus 17 anos em evento de memória oral

Por Carolina Vaz

Publicado originalmente no Jornal Cidadão

Foto em destaque: José Bismarck


O Museu da Maré completou, no dia 8 de maio, 17 anos de sua inauguração oficial. Para celebrar, montou uma agenda de atividades culturais no espaço ao longo do mês, com destaque para a aula aberta de hip hop e os espetáculos teatrais. Mas não poderia ficar de fora da programação um evento que todos os anos reúne os moradores para falar do tema central do Museu: a Maré. Aconteceu no dia 16 de maio o 13º Chá de Memórias, um evento anual para diálogo com moradores, principalmente os mais velhos, no qual objetos da exposição do Museu – e também de acervos pessoais – se tornam pontos de partida de histórias do passado mareense.


Desta vez, o Chá foi temático dos 17 anos do Museu, motivando os presentes a lembrarem de suas memórias ali. A equipe do Museu preparou fotos de eventos marcantes, objetos da casa de palafita presente na exposição de longa duração e um varal de depoimentos e biografias de alguns moradores e moradoras. Em roda, os presentes, de adolescentes a octogenários, foram convocados a contar de suas lembranças do local.



Fotos foram utilizadas para lembrar eventos importantes. Foto: José Bismarck.


Para alguns, o Museu foi um espaço marcante na educação de seus filhos. Rosário de Araujo lembrou de quando seu filho, hoje com 26 anos, fazia aulas de dança contemporânea no Museu, no projeto da Escola de Dança, e com muito orgulho ela rememorou as apresentações dele que foi assistir. Orgulho também é um dos sentimentos para Joelma Gomes, já que foi no Museu que sua filha começou a vida artística na adolescência. Além da formação em cursos como o teatro, havia para ela a tranquilidade de deixar a filha num espaço de confiança: “Eu sempre soube que aqui ela ia aprender as coisas, obter conhecimento (…) aqui foi onde tudo começou”. Hoje, a filha, Beatriz Virgínia, tem 25 anos, é historiadora, doutoranda e professora.



Joelma Gomes (blusa rosa) contou da trajetória da filha nos projetos do Museu. Foto: José Bismarck.



Seguindo a tradição, as presentes deixaram suas memórias do Museu em tecido que ficará em exposição no espaço. Foto: José Bismarck.


Várias outras pessoas da roda consideraram a lembrança mais marcante a primeira entrada na casa de palafita, parte da exposição de longa duração. É o caso de Conceição Santos, natural dos arredores de Juazeiro (BA), que se emocionou ao ver na cada objetos que lembraram sua origem, como o bule, o urinol, a mesa de madeira: “Eu voltei para casa chorando e falando que vi os objetos da minha terra”. Quem também sentiu essa nostalgia foi Teresinha Santos, que lembrou de sua infância em Pernambuco ao ver o ferro de passar, a panela de ferro e outros itens. Ela refletiu sobre as conquistas até o dia de hoje: “Tantos objetos que hoje a juventude não dá importância mas aquilo era a nossa vida, e era um luxo”. Nesse momento, Marilene Nunes, colaboradora do Museu desde sua concepção, lembrou que para compor a exposição ela ia às casas de moradores mais antigos para pedir objetos de valor histórico.



Moradoras mais velhas comentaram sobre os objetos da casa de palafita. Foto: José Bismarck.


Tempo da Resistência

Cláudia Rose, coordenadora do Museu, lembrou da ameaça de despejo que o Museu sofreu em 2014, o que motivou a criação de um movimento, a partir de apoiadores do espaço, chamado “Museu da Maré resiste e fica”. Sete anos depois, o espaço foi doado definitivamente ao CEASM e os impostos da doação foram pagos com outros apoios, também frutos de mobilização. Essa é uma lembrança que, no marco de 2014, era uma angústia, mas se transformou em alegria.


O trabalho do Museu de exaltar a identidade mareense foi o foco das lembranças para Camila Felippe, universitária de 25 anos, que comentou que, em sua infância, era motivo de vergonha falar que é favelado. Mas na adolescência ela começou a frequentar o Museu, para conhecer a história do bairro, e passou a ter orgulho. “O Museu é transformador. Você entra aqui e você sai de outra forma”. Outro jovem que abordou a perspectiva de vida foi Jean Bezerra, de 17 anos, bolsista do programa Jovens FAPERJ do Museu. Natural de uma cidade no interior da Paraíba, ele sempre viu os pais trabalharem muito sem retorno, e tinha pouca perspectiva de crescimento até vir morar na Maré: “Aqui na Maré eu vi que eu posso ser alguém, ter uma profissão, uma vida digna”.



Evento marcou o aniversário de 17 anos, com direito a bolo e guaraná. Foto: José Bismarck.


Após todos os depoimentos e os comes e bebes, o grupo se reuniu para cantar os parabéns dos 17 anos do Museu da Maré, com direito a bolo temático.


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