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CEASM 23 anos: nossos sonhos não envelhecem

Colegiado CEASM

O Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) encerra seu mês de aniversário repleto de gratidão. Gratidão pelos que acompanharam, no site do Jornal O Cidadão, a nossa história contada em quatro capítulos; pelos que nos parabenizaram com depoimentos publicados em nossas redes sociais ou mensagens encaminhadas diretamente para pessoas da instituição; e, principalmente, pelos que participaram da nossa live dos 23 anos, no dia 15 de agosto.


Nosso maior desejo, todo ano, é realizar um grande encontro presencial com quem faz parte da nossa história, conversar, abraçar, rir. No entanto, a comemoração remota, que transformou o Zoom (“lugar” que nem conhecíamos há seis meses) no nosso “local da festa”, possibilitou que amigas/os queridas/os em outras cidades, estados e países, participassem conosco desse momento. As homenagens, que estavam previstas num roteiro mínimo, acabaram gerando uma reação inesperada e extremamente fisiológica: choro, e muito choro. É evidente que, em nosso singelo roteiro, ignoramos a fragilidade da tecnologia em evitar essa expressão tão humana. A pandemia nos tirou muita coisa, mas dessa vez não nos privou da emoção do contato pelo olhar.


Dentre os muitos depoimentos, jovens (os de hoje e os de 20, de 15 anos atrás) – com humildes perspectivas de futuro e pouca identificação com a Maré -, que viram em projetos como Pré-vestibular Comunitário (CPV), Preparatório para o ensino médio e Jornal O Cidadão a possibilidade de acessar ensino técnico, universidade, seguir para mestrado e doutorado, e em muitos casos voltar para a instituição, para compartilhar conhecimento com as sucessivas novas gerações.


Houve também os que declararam toda a admiração à preservação e constante renovação da memória da Maré pelo Museu, espaço cultural da favela por excelência que não deixa nossa história de resistência se apagar, desde 2006.


Também fomos tomados de emoção quando nossa educadora e coordenadora do CPV, Nlaisa Luciano, prestou uma homenagem às pessoas que já perdemos: Marielle Franco, Soraia Brito, Denise Rocha, Breno, Darlan, JJ, Luiz Cerdeira, Jaqueline Cássia Silva, Bárbara, Rodrigo Leite. Apesar de todo o luto, é como diz o texto da homenagem: “Nomes que poderiam ser também o meu, o teu, o nosso, e são. São nossos estes nomes. Nomes que trazem consigo inúmeros outros nomes perdidos. Nomes que foram a perda do que fomos, do que queremos ser e do que a nossa sociedade não nos deixa ser, mas insistimos: somos. E como somos nossas lutas e somos nossos sonhos, como eu sei do meu amor por este espaço. O amor sobrevive”.


Apesar de toda a emoção que atravessou nossas impressionantes quatro horas e meia de live, que chegou a quase cem pessoas online, ela não foi feita só de choro, mas também de riso, poesia e cantoria. Fomos agraciados por canções a voz e violão de Nino e o seu filho Caetano Araújo, amigos da instituição, que despertaram nosso afeto e esperança, e reforçaram o tom de festa dessa live, como sempre foi nosso desejo. Também tivemos o canto forte, à capela, do amigo Carlos Augusto Bapt e emocionantes poesias de Mário Chagas.


CEASM: somos nossos sonhos e nossas lutas. E como lembra Milton Nascimento e igualmente nos lembrou Nino: sonhos não envelhecem.

Gratidão a todas e todos e até o próximo encontro.