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Aulão CPV em Ouro Preto

Fotos e texto por Raysa Castro



Em decorrência da pandemia, desde 2020 o Curso Pré-Vestibular do CEASM não realizava seu famoso aulão em Ouro Preto. Com o retorno das aulas em 2021 de forma remota, e apenas em 2022 a volta das aulas presenciais, o projeto vinha se articulando para um retorno das atividades que compõem o planejamento do curso, inclusive a viagem para Minas Gerais. Cerca de 43 pessoas estiveram presentes no aulão, sendo eles educandos, coordenadores e educadores das disciplinas de história, geografia, biologia e literatura.

 

Histórico aulão de Ouro Preto

O pré-vestibular comunitário do CEASM, o CPV, é tradicionalmente conhecido pelos aulões formativos realizados no decorrer do ano letivo. Pensando uma educação inclusiva, libertadora e potencializadora do pertencimento à cidade e à favela, os aulões acontecem em diversos lugares da cidade do Rio, dentro do Complexo da Maré e há o aulão de 3 dias em Ouro Preto que ocorre desde 2014. Ao longo do ano, são realizadas aulas no Parque Nacional da Tijuca, no Museu da Maré, aulão no Centro do Rio de Janeiro, em Petrópolis e o aulão em Minas Gerais, além das aulas temáticas executadas na sede do CEASM.


A ideia é trazer uma educação para além da sala de aula, mostrar aos educandes - que são, em sua maioria, moradores do Complexo da Maré - a importância do acesso à cidade, proporcionar o acesso à cultura, trazer o estabelecimento de reflexões críticas do lugar do favelado, pobre e preto na cidade e como isso impacta as perspectivas educacionais, políticas e culturais que construímos. São práticas pedagógicas importantes que trazem repertório para as provas de vestibulares.


Renata Carneiro, professora de história, fazendo fala no Museu da Inconfidência.
Renata Carneiro, professora de história, fazendo fala no Museu da Inconfidência.

“Como eterna educanda do CPV-Ceasm e filha da UERJ, considero que existam inúmeras possibilidades de ensino-aprendizagem. A sala de aula, conformada por quatro paredes e um quadro, é uma das possibilidades. As aulas de campo possibilitam a junção das questões teóricas e a apreciação in loco. A imaginação é uma ferramenta que ajuda qualquer estudante a ‘apreender’ o conteúdo proposto. Perpassando os espaços, ruas e museus reconstruímos, ressignificamos e problematizamos a história contada nos livros. Portanto, a aula de campo é um caminho potente para educar”.

Renata Carneiro, educadora de História do projeto.



O grupo saiu da Maré na noite da sexta-feira, dia 17 de novembro, chegando ao Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) no campus Ouro Preto, na manhã de sábado. O IFMG recebe o Curso Pré-Vestibular há cerca de cinco anos, em uma parceria que proporciona salas de aula onde os alunos ficam alojados.

 

Foram visitados alguns dos pontos principais de Ouro Preto: Museu da Inconfidência e a Praça Tiradentes. Devido às fortes chuvas, foi impossibilitada a visita dos alunos às antigas minas de ouro. O educando Thales Medeiros estudou pela primeira vez esse ano no CPV, além de ter somado como colaborador na comunicação do projeto. Relatou a experiência em Ouro Preto: “Eu já tive outras aulas de campo, mas foi minha primeira viagem de campo, onde eu fui junto dos meus e pude aprender o conteúdo de Ouro Preto, pude sentir a energia da cidade. Mesmo que de um passado triste e pesado, como um professor nosso falou, é uma cidade que todo brasileiro deveria conhecer, é muito enriquecedora”. 


Aula no jardim do Museu da Inconfidência.
Aula no jardim do Museu da Inconfidência.

Renata Carneiro já participou da aula de campo 5 vezes como educadora, e fala da motivação deste ano: “A gente passou 2023 todo se recuperando das mazelas dos últimos quatro anos de desgoverno brasileiro. Sentimos que novembro, pós ENEM e pré prova específica da UERJ, estávamos, por inúmeras questões, extremamente cansados (educandes e educadores). No entanto, para além da interação como ouvintes das aulas de campo que foram ministradas ali, observar a ocupação daquele território pelos favelades mareenses é um ponto muito relevante e eu gosto. A turma conheceu alguns espaços de poder, museus, artefatos históricos, além de apreciarem a arte, a culinária e a sociedade mineira, o que é muito rico. Os territórios são porosos demais, sendo assim, nossas culturas se imbricam e é disso que somos constituídos”.

 

A história que a cidade de Ouro Preto carrega, interpretada pelos educadores do CPV, foi o aspecto mais transformador para o aluno Thales Medeiros, concluindo a missão que o pré-vestibular assume há 25 anos: “O conteúdo histórico me ajudou demais a ter um senso crítico sobre qual classe eu faço parte, e vendo movimentos de resistência que foram articulados na época, me faz refletir sobre tudo que essa galera da militância corre atrás por todos nós! Me despertou a vontade de participar de movimentos, principalmente os de trabalho de base!”.

 

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