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Jornal O Cidadão  

O Cidadão circulou pela primeira vez na Maré em junho de 1999, fruto da vontade de suprir a ausência de um projeto de comunicação voltado para o bairro. Passados dois anos, o jornal tem agora tiragem de 20 mil exemplares, que são distribuídos gratuitamente nas 16 comunidades da Maré. Desde o princípio, sua equipe mistura profissionais e jovens estudantes da região – com o objetivo de capacitar, gradualmente, o morador a desenvolver todas as etapas do trabalho jornalístico.

Impresso pela Ediouro, com edição mensal, cores, fotos e textos sem erros de português, o jornal parece até produzido por alguma empresa de comunicação. A sua qualidade é mesmo ponto de honra para a equipe e faz parte de uma política articulada pelo próprio CEASM. A intenção é trabalhar a auto-estima do morador, oferecendo a ele um jornal bem acabado e rompendo com a lógica cristalizada de que produção feita em comunidade pobre não tem apuro técnico.

A reportagem de capa aborda sempre um tema comum a todas as comunidades, permitindo uma visão unificada sobre o bairro. São matérias como questão fundiária, movimentos culturais, influência da cultura nordestina e desemprego na Maré. Assuntos como educação, saúde e esportes também têm espaço cativo no jornal.

Divulgar, com destaque, as atividades dos grupos que desenvolvem trabalhos sociais na região é uma preocupação permanente. Já o quadro Perfil do jornal traz, a cada edição, uma ilustre personalidade da Maré. Gente como Dona Maria – a rezadeira, Paulo Bento - o professor de Matemática, Edmilson - o músico cego, e Zé Careca – o presidente de associação. Este é outro espaço importante para valorizar o morador local, sua história e identidade, contar seus problemas e opiniões.

A última página guarda uma das maiores singularidades de O Cidadão: uma seção dedicada à História da Maré. O texto é baseado em pesquisa feita por dois moradores sobre os fatos e as transformações sofridas pela região ao longo dos séculos, desde 1500 até os dias atuais. Em cada edição, o jornal apresenta, na ordem cronológica, uma parte desses registros e seu contexto político-cultural para a cidade e o país.

O caráter educativo de O Cidadão o transformou em material didático para as instituições de ensino do bairro. Suas matérias e colunas são freqüentemente temas de aulas e provas nas escolas públicas. E a explicação para isso está impressa no jornal, onde a informação é tratada como instrumento educativo capaz de promover o resgate da cultura e tradição das comunidades. Uma rápida olhada em suas páginas e o morador facilmente reconhece lugares e pessoas comuns ao seu dia-a-dia.

O espaço destinado à publicidade também é benvindo. Ele não só traz algum retorno financeiro, como evidencia o comércio local e contribui para identificar O Cidadão junto ao cotidiano da Maré. Mas o jornal só chegou as atuais proporções graças também às parcerias com a Petrobras – cujo auxílio financeiro permite o custeio de produção e pagamento de bolsas; e a Editora Ediouro – que, sediada na Baixa do Sapateiro, imprime gratuitamente o jornal num formato tablóide de 12 páginas.

Como mais expressivo veículo comunitário da Maré, O Cidadão já nasceu com as missões de integrar as 16 comunidades do bairro, resgatar uma identidade coletiva entre seus moradores, promover o trabalho de movimentos sociais, educar a população sobre a história da Maré; e transformar os leitores em participantes desse veículo de imprensa.

É pensando em tudo isso que sua equipe – composta por voluntários, monitores e um único jornalista – escreve cada palavra impressa no jornal.

 

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